Perdi o ritmo

(Re)construção com Método – episódio 7

Depois de conseguir correr meu primeiro quilômetro inteiro, os treinos continuaram evoluindo. Em pouco tempo eu já conseguia correr cerca de 12 quilômetros, fazendo pequenas pausas de um minuto a cada 1,2 km, e já estava firme trabalhando para não precisar mais delas.

No final de março apareceu o primeiro obstáculo. Um desconforto no joelho esquerdo começou a incomodar durante os treinos e acabou me obrigando a parar por quase dez dias. Não parecia nada grave, mas foi a primeira interrupção desde que eu havia começado a treinar com mais consistência.

Quando tentei retomar os treinos, no início de abril, veio outro problema. Tive uma crise forte de asma que novamente me afastou da corrida por alguns dias. Era mais uma pausa inesperada justamente no momento em que eu vinha conseguindo manter uma rotina mais consistente.

No meio daquele mesmo mês, surgiu uma nova prioridade. Eu precisava iniciar a preparação para a prova do CEA. Entre estudos, trabalho e as interrupções que já haviam acontecido, os treinos começaram a perder espaço na rotina.

Aos poucos, o ritmo dos treinos foi se perdendo. Em vez de correr três ou quatro vezes por semana, eu passei a treinar apenas de forma esporádica. Muitas vezes conseguia correr uma única vez na semana, quando conseguia.

Eu só fui perceber o quanto havia perdido ritmo quando participei da prova de 10 km da Tribuna, em maio de 2025. Já fazia quase um mês que eu não conseguia treinar de forma satisfatória e completei a prova, mas terminei completamente esgotado. Foi ali que ficou claro que, se não tomasse cuidado, poderia acabar perdendo boa parte do que havia conquistado nos meses anteriores.

No final de junho, recebi uma mensagem inesperada do Murakami. Ele perguntou o que eu acharia de tentar correr uma maratona. Eu expliquei que estava tendo dificuldades para manter os treinos naquele momento. Ele me ouviu com calma e disse que vinha acompanhando minha evolução e que sabia que eu tinha potencial. A prova seria apenas em julho de 2026, em Porto Alegre, e ainda teríamos um ano inteiro para nos preparar.

A ideia me pegou de surpresa. Uma maratona parecia distante demais naquele momento, principalmente porque eu já vinha tendo dificuldades para treinar com regularidade. Depois de pensar um pouco, combinamos algo mais realista: tentar correr a meia maratona, os 21 quilômetros. Ainda assim, o plano era começar uma preparação longa, com quase um ano pela frente.

Mas essa preparação nunca chegou a sair do papel. Entre o desconforto no joelho, os estudos para o CEA e a dificuldade de retomar o ritmo dos treinos, os dias foram passando e eu simplesmente não conseguia voltar a correr com regularidade. Eu queria voltar, mas sempre havia algum motivo para adiar o treino seguinte. Quando me dei conta, já estávamos no final de novembro.

Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync

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