(Re)construção com Método — Episódio 1
Quando a COVID-19 mudou completamente a rotina do mundo, eu não imaginei que os efeitos seriam tão rápidos no meu próprio corpo. Nos primeiros três meses de isolamento, trabalhando de casa e praticamente sem sair para nada, a ausência total de atividade física me levou rapidamente dos 100 para quase 120kg.
A mudança aconteceu quase sem que eu percebesse. Quando parei para olhar com atenção, o impacto já era evidente.
Eu já não treinava antes, mas ainda existia algum nível de movimento na rotina. Com o isolamento, isso desapareceu por completo. O sedentarismo deixou de ser circunstancial e virou regra. E o corpo respondeu de forma proporcional.
O peso era apenas a métrica visível. O incômodo vinha de outras coisas: dificuldade para movimentos simples, cansaço para tarefas básicas e a percepção concreta de que eu estava fisicamente limitado de um jeito que nunca tinha experimentado.
Eu não tinha a menor ideia de por onde começar. Cheguei a tentar a natação em um período entre os lockdowns. Era uma alternativa segura, controlada e, em teoria, eficiente. Mas exigia horários fixos e uma rotina rígida que não se encaixava na dinâmica da minha vida naquele momento. Além disso, eu sempre achei a atividade monótona. Não era falta de esforço. Era falta de aderência.
Eu ainda não sabia qual caminho seguir. Não sabia que tipo de atividade faria sentido, nem por onde deveria iniciar. Até que, em meio a esse cenário, surgiu um pensamento inesperado sobre algo que eu nunca tinha sequer cogitado: será que eu conseguiria correr?
Naquele momento, isso parecia distante demais da minha realidade. Ainda assim, a pergunta não foi embora. Ela começou a voltar com frequência, sempre no mesmo ponto. E se eu tentasse?
Eu não tinha plano ou orientação, mas tinha a noção de que continuar como estava já não era mais uma opção.
Eu começava a aprender a me movimentar novamente.
Continua.
Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync
