O Primeiro Quilômetro (de Novo)

O mês de abril foi bem complicado e passei um tempo sem conseguir escrever por aqui. Mas hoje é dia de comemorar e compartilhar. Saí tarde do trabalho e cheguei atrasado no treino. Não consegui me alimentar antes e, ainda por cima, me esqueci da minha garrafa d’água. Eu já estava cansado antes de começar. O treino previa quinze minutos de corrida contínua logo de cara — algo que, até então, eu ainda não tinha conseguido fazer nesse processo de reconstrução.

Saí devagar, sem me preocupar com pace, sem olhar para o relógio. A instrução era correr em ritmo leve e foi exatamente isso que fiz — um passo de cada vez, sem forçar. O que eu não esperava era que meu corpo respondesse daquela forma. Os batimentos cardíacos e a respiração estavam mais tranquilos do que em outras oportunidades.

Tenho a tendência de forçar bastante nos primeiros momentos, mas nesse dia eu estava determinado a seguir o treino à risca. Mantive o ritmo muito leve. Passo após passo. Aproveitando o momento. Carpe diem, não é o que falam? Pois bem, foi o que eu fiz. Mas comecei a cansar. E quando decidi que precisava caminhar alguns metros, no exato momento em que pus o pé no chão para “descansar”, o Garmin apitou e me mostrou os dados da volta. Ou seja, eu havia corrido por 1 quilômetro direto pela primeira vez em mais de 1 ano. Sabe aquela sensação indescritível que a gente tem quando faz algo incrível pela primeira vez? Pois é… é sobre isso.

Mas nem tudo são flores…

Depois da primeira parte, o treino pedia dois minutos parado para recuperar e depois seis intervalos de três minutos correndo com um minuto de caminhada. Comecei bem — corria quando tinha que correr, caminhava quando tinha que caminhar. O céu estava fechado e o vento vinha contra, mas o treino seguia. Até o terceiro intervalo tudo correu dentro do esperado. No final do terceiro, porém, uma pontada no lado esquerdo do abdome. Coisa pouca, mas suficiente para me avisar que o corpo estava cobrando a conta da falta d’água e de alimento, mas eu tentei seguir mesmo assim. Na quarta parte de corrida, não deu mais, precisei parar e aceitar que tinha “quebrado”. Isso é amadurecer na corrida ou com a corrida.

Um quilômetro não parece muito. Para quem corre há anos, é quase nada. Mas eu sei o que custou chegar novamente até ele — cada treino que eu não queria, mas fui, cada vez que o corpo pediu para parar e eu insisti, cada vez que eu “quebrei” e aprendi a respeitar o meu limite. Não foi num dia perfeito que esse quilômetro aconteceu. Muito pelo contrário, foi num dia cansativo, sem água, sem comida, com vento contra e o céu fechado. Talvez seja exatamente por isso que ele valeu tanto. Quando a conquista aparece nas condições erradas, você sabe que ela é real.

Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync

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