O treino que quase não aconteceu

Hoje era dia de tiros de 200 metros. O problema é que o treino começou muito antes de eu calçar o tênis.

O dia no trabalho foi pesado. Quando finalmente chegou a hora de correr, eu já estava cansado antes mesmo do aquecimento. Para piorar, o tempo resolveu colaborar da pior forma possível: chuva e um vento absurdo na orla.

Mesmo assim, eu fui.

O treino previa 10 tiros de 200 m em ritmo forte. No papel parece simples. Na prática, cada tiro virou uma pequena batalha contra o vento, contra a chuva e contra o cansaço.

O primeiro saiu forte. Forte mesmo. Mas logo ficou claro que manter aquele nível seria impossível nas condições daquele dia. Os tiros seguintes foram acontecendo no ritmo possível. Longe de serem bonitos ou rápidos, mas suficientes para manter o treino acontecendo.

No oitavo tiro precisei caminhar um pouco no meio do intervalo. Foram poucos metros, talvez uns trinta. Recuperei o fôlego e voltei a correr. Já não havia força para acelerar, mas ainda dava para continuar.

No fim, completei os dez tiros — o que, considerando o contexto, já valeu muito.

Chuva, vento forte e um treino de tiros que quase não aconteceu.

Dados do treino

Distância: 4,04 km
Tempo total: 41:59
Frequência cardíaca média: 163 bpm
Percepção de esforço: exaustivo
Média dos 10 tiros de 200 m: 6:59/km

Intervalos de corrida (200 m):

  1. 5:25/km
  2. 6:12/km
  3. 7:22/km
  4. 7:13/km
  5. 7:15/km
  6. 7:18/km
  7. 7:20/km
  8. 6:49/km
  9. 7:28/km
  10. 7:31/km

Percepção

Hoje foi um daqueles dias em que o treino acontece quase na teimosia. Eu já comecei cansado, o vento estava absurdamente forte e a chuva não ajudava em nada. Cada tiro parecia um pouco mais pesado que o anterior.

Mesmo assim, teve uma coisa que me chamou atenção: eu consegui correr praticamente todos os tiros. Em outros momentos, um treino desses provavelmente teria virado uma sequência de caminhadas.

Hoje isso não aconteceu. O ritmo caiu, claro, mas o treino seguiu acontecendo até o fim.

Análise

Quando olho os dados com mais calma, aparece um detalhe interessante: depois do primeiro tiro, o ritmo caiu — o que era esperado devido à chuva forte e ao vento frontal —, mas os tiros seguintes se estabilizaram em um intervalo relativamente consistente.

Outro dado interessante aparece na potência medida pelo Stryd. Mesmo com o vento forte — que aumentou o custo energético da corrida — a potência dos tiros ficou relativamente estável na maior parte do treino.

Ou seja: o ritmo variou bastante por causa das condições externas, mas o esforço real permaneceu relativamente constante — o que ajuda a explicar por que o treino parece mais duro do que os números de ritmo sugerem.

Ajuste

Treinos como o de hoje lembram uma coisa importante: a reconstrução não acontece apenas nos dias perfeitos. Ela também se constrói nos dias em que tudo conspira contra — cansaço, vento e chuva — e mesmo assim o treino acontece.

Não foi o treino mais bonito, mas foi um daqueles treinos que contam.

Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync

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