(Re)construção com Método — episódio 8 (final)
No dia 7 de dezembro de 2025, fui para os 5 km da Tribuna FM achando que poderia ir bem. Era uma esperança sem respaldo em treino ou preparação — só a crença de que o corpo se lembraria do que havia construído nos meses anteriores, que alguma coisa tivesse sobrevivido aos meses de desatenção com a minha preparação. Não foi bem assim.
Terminei os 5 km em 47 minutos e 47 segundos, com pace médio de 9:26/km, na posição 6.951 geral. O meu feedback da prova foi direto: “Muito mal. Peso sobrando, velocidade faltando.” Não havia muito mais o que dizer.
O resultado pesou por vários motivos ao mesmo tempo. Havia a sensação de ter perdido um condicionamento que me custou muito tempo e esforço para construir, por mais modesto que fosse. Havia a clareza de que precisava tomar uma atitude real. E havia o comparativo, que desta vez era muito mais cruel do que qualquer ranking geral. Quando comecei a correr, eu me media com desconhecidos, influencers, colegas que postavam seus treinos nas redes. Era fácil encontrar conforto nisso. Agora eu me comparava comigo mesmo, com o Michel que havia conseguido correr 12 quilômetros com pausas curtas, que havia cruzado a linha de chegada de uma prova de 10 km, que tinha construído uma base real. Esse cara tinha desaparecido, e o 47:47 era a prova concreta disso.
Depois da prova, as perguntas começaram. O que havia dado errado? Onde eu tinha parado de prestar atenção? A resposta mais honesta era simples: eu tinha deixado o processo de lado. Não de uma vez, não por uma única razão, mas aos poucos, por muitas razões somadas. E quando finalmente parei para olhar com honestidade, o tamanho do estrago era maior do que eu imaginava.
Mas aquela prova foi também o momento exato em que algo mudou. Não no sentido motivacional, não com aquela energia artificial de “a partir de hoje tudo vai ser diferente”. Mudou no sentido de que eu finalmente entendi o tamanho real do problema e que adiar mais um dia não era uma opção. Nas semanas seguintes, tomei as medidas que precisavam ser tomadas. Fui à endocrinologista e iniciei o tratamento no dia 23 de dezembro. Comecei a pesquisar assessorias de corrida presenciais aqui em Santos — precisava da única coisa que a assessoria online não podia me dar: presença física, grupo, rotina compartilhada. Contatei várias opções pelas redes sociais e, no final, a que fazia mais sentido era a Correzero13, comandada pelo Renan.
Mas antes de fechar qualquer coisa com o Renan, precisava resolver uma questão que não conseguia ignorar: avisar o Murakami. Não seria justo fechar com outra assessoria sem falar com ele primeiro. Mandei uma mensagem explicando minha decisão e o motivo. Ele demorou alguns dias para responder — eu não sabia, mas a assessoria estava em recesso. Quando respondeu, disse que entendia e que ficasse tranquilo. Aquilo só aumentou o respeito que eu já tinha por ele.
Com tudo resolvido, entrei para a Correzero13. No dia 6 de janeiro de 2026, uma terça-feira, às 19 horas, cheguei para o primeiro treino, na praia, colado ao canal 3. Era o (re)começo.
Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync
