- Contexto
A Track & Field Run Series Santos I marcou a primeira largada de 10K dentro do processo atual. Era o primeiro teste real em ambiente de corrida em quase um ano.
A estratégia era simples: completar. O alvo era algo entre 1:30 e 1:40 — mais próximo de 1:40, sendo honesto. O corpo vinha cansado dos treinos recentes, e a última vez que havia cruzado uma linha de chegada de 10K tinha sido em maio de 2025. Mais do que o tempo, o objetivo era executar o plano e observar como tudo responderia em ambiente real.

- Dados
Resultado oficial: 1:29:31 (bruto) | 1:26:24 (líquido) | 8:38/km
Distância total: 10,32 km | 1:26:37 | 8:24/km
Trechos corridos: 8,00 km | 1:04:01 | 8:00/km | 20 intervalos
Frequência cardíaca: 162 bpm (média) | 177 bpm (máx)
Potência: 225 W | 2,17 W/kg
Recordes pessoais: 1 milha (12:01) | 5K (40:13) | 10K (1:24:04)
- Percepção
Acordei às 4 horas me perguntando o que eu realmente queria da vida, com a nítida sensação de que o “bicho da corrida” havia me pego desprevenido — afinal, na minha cabeça, acordar antes das 7 horas para correr não é coisa de gente sã.
Saí sabendo que seria um teste difícil. O plano era simples: seguir o método e chegar.
No meio da prova, entre o km 5 e o 6, não enxergava o ponto de retorno e já estava cansado. Um pouco mais para a frente, o retorno surgiu — e ao contorná-lo, algo passou a me dizer que faltava pouco e que eu já tinha vindo até aquele ponto. Bastava ir até o fim.
No km 9, comecei a me dizer que faltava muito pouco — que eu podia ir até o pórtico. Quando já o avistava, olhei o tempo de prova: estava acima de 1h40. O primeiro pensamento foi de alívio — faltavam só alguns metros. O segundo foi a sensação de que não havia conseguido ficar dentro da janela que eu pretendia. Mesmo assim, foi um momento gostoso cruzar a linha.
Só depois percebi: o tempo no pórtico não era o da prova de 10K. Era o relógio dos corredores que haviam largado antes, para os 21K.
- Análise
O resultado não dependeu de um dia excepcional. Ele foi consequência direta do processo.
Os dados mostram consistência na execução: o pace médio dos trechos corridos ficou em 8:00/km, bem abaixo do pace final, a potência média de 225 W indica esforço sustentado sem grandes oscilações e a frequência cardíaca média de 162 bpm confirma uma prova conduzida próxima do limite.
Mas há um momento que os dados não registram. Do km 5 para o 6, não enxergava o ponto de retorno e já estava cansado. Um pouco mais para a frente o retorno surgiu — e ao contorná-lo, a mentalidade deu um salto. Já estava terminando. Já tinha ido até ali. Era só terminar.
O método funcionou mesmo com o corpo cansado — sem depender de um dia bom, sem sobra de energia. O desempenho foi sustentado pela repetição de estímulos, controle de intensidade e execução disciplinada dos intervalos.
Além disso, a evolução em relação à única prova anterior é objetiva: redução de 6min12s no tempo total e ganho de 52s/km no pace.
Na mesma prova, foram três recordes pessoais: 1 milha, 5K e 10K. Isso indica que o processo está em evolução.
- Ajuste
O próximo passo não é acelerar, mas consolidar.
O método se mostrou eficiente em ambiente real. A partir daqui, o foco passa a ser manter a consistência dos treinos, buscar melhora de eficiência — principalmente na resistência — e reduzir a necessidade de esforço extremo nos momentos finais. A capacidade foi demonstrada, e o próximo desafio é torná-la padrão.
Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync
