(Re)construção com Método — Episódio 6
Depois de algum tempo seguindo a planilha da Viva a Corrida, comecei a perceber que algo estava mudando. Eu já não estava apenas tentando correr. Aos poucos, eu estava evoluindo.
Alguns marcos que antes pareciam completamente fora da minha realidade começaram a acontecer. Primeiro vieram os 15 segundos. Depois, os 60 segundos. Pode parecer pouco para quem já corre, mas para mim aquilo representava uma transformação real.
Foi nesse período que surgiu o Murakami. A indicação veio de um amigo que também treinava com ele. A ideia me pareceu interessante desde o início, mas havia uma dúvida importante: a assessoria é de Piracicaba, e isso significava que todo o acompanhamento teria que acontecer de forma online. Eu não sabia se isso funcionaria.
No início do processo, ele me enviou um formulário de anamnese. Ao preenchê-lo, mencionei que tenho asma. A partir disso, ele pediu para ver alguns exames e, depois de analisá-los, começamos a trabalhar juntos — devagar e com bastante cuidado.
No início, confesso que os treinos pareciam leves demais. Eu já estava acostumado com um pouco mais de esforço, mas ele optou por iniciar bem do início. Em determinado momento, comentei que já estava correndo um pouco mais e ele respondeu apenas: “confia no processo”. Foi a primeira vez que parei para pensar na corrida dessa forma — como desenvolvimento.
Ele foi extremamente cuidadoso na construção dos treinos. Intensidade, duração e progressão eram ajustadas com atenção. Com o tempo, comecei a perceber que aquela cautela não era excesso de prudência. Era método. Fiquei impressionado ao ver que ele analisava os dados produzidos pelo relógio e me dava feedbacks valiosos: “cansou bastante hoje”, “foi bem”, “descanso também faz parte”. Foi quando entendi que a assessoria realmente funcionava, mesmo à distância. E foi dentro desse trabalho que algo importante começou a acontecer.
Aos poucos, comecei a correr sem precisar parar. No início, nem percebia direito. Até que um dia simplesmente aconteceu: completei meu primeiro quilômetro sem caminhar. Um quilômetro inteiro. Pode parecer algo simples, mas para mim aquilo era gigantesco.
Depois vieram 1,2 km. Às vezes um pouco mais. O pace ainda era alto — acima de 8:20/km — mas isso já não importava tanto. O que realmente importava era outra coisa: pela primeira vez, comecei a sentir que talvez pudesse, de verdade, me tornar um corredor.
Ainda não cheguei lá. É só o começo.
— Michel by Sync
